Aulas do Professor Tucano
Cada número da economia explicado em linguagem de conversa, sem economês.
Como usar: toque em um tema para abrir a aula. Cada aula tem a explicação, onde estamos, o que pesa, um exemplo no seu bolso e a fonte.
Inflação (IPCA) REAL ATÉ SET/2026
Quanto os preços subiram em 12 meses para uma família média.
Para entender
Imagine que há um ano sua cesta de compras custava R$ 1.000. Com o IPCA em 4,58%, a mesma cesta custa hoje cerca de R$ 1.046. Se o seu salário ou o preço do que você vende subiu menos que isso, você perdeu poder de compra. Se subiu mais, você ganhou.
Compra há 12 meses
R$ 100,00
×
=
A mesma compra hoje
R$ 104,58
Onde estamos
- Hoje: 4,58% em 12 meses (set/26), acima do teto da meta de 4,5%.
- Fim de 2022: 5,78%. Fim de 2023: 4,62%. Fim de 2024: 4,83%. Fim de 2025: 4,26%.
- Inflação acumulada desde jan/23: cerca de 18,9% (14,4% de 2023 a 2025, mais 3,95% em 2026 até setembro). Na prática, o que custava R$ 100 em dez/22 custa cerca de R$ 119 hoje.
- Ponto mais baixo do período: 3,16% em jun/23. Mais alto recente: 5,53% em abr/25.
- Em set/26, energia elétrica subiu 7,98% e tomate 37,76%, o que empurrou o índice.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Mercado (Focus): 5,22% para o fim de 2026, ou seja, acima de hoje e acima do teto da meta.
O que mais pesa
Energia e bandeira tarifária, alimentos, dólar, preço do diesel e do frete, e a própria Selic, que freia a demanda.
No seu bolso: a compra de R$ 100 de um ano atrás hoje sai por R$ 104,58. Mas a sua conta pode ser outra: quem enche o carrinho de carne sente mais; quem toma muito café sente menos.
Fonte: IBGE, IPCA set/2026 (12 meses), SIDRA 7060; meta: CMN. Consulta 25/10/2026.
Selic (juros) REAL ATÉ OUT/2026
A taxa de juros básica da economia, que serve de referência para todos os outros juros.
Para entender
É o preço do dinheiro. Com a Selic alta, guardar dinheiro rende mais e pegar emprestado fica caro, então as pessoas e as empresas gastam e investem menos e os preços sobem mais devagar. Com a Selic baixa acontece o contrário: o crédito fica barato e a economia esquenta. Também é o juro que o governo paga sobre a dívida dele.
Onde estamos
- Hoje: 13,75% ao ano.
- Fim de 2022: 13,75%. Fim de 2023: 11,75%. Mínimo do período: 10,50% (mai/24). Fim de 2024: 12,25%. Pico: 15,00% (jun/25).
- Cada 1 ponto a menos na Selic reduz o custo dos juros da dívida federal em cerca de R$ 49 bi por ano (estimativa própria: 52,74% da Dívida Pública Federal está em títulos ligados à Selic (R$ 4,9 tri de R$ 9,29 tri, Tesouro, ago/26); 1 ponto sobre isso dá cerca de R$ 49 bi por ano).
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- A velocidade depende da inflação: com a inflação acima da meta, o Banco Central tende a ir devagar.
O que mais pesa
Inflação e expectativas, câmbio, situação fiscal (gasto do governo) e a economia dos Estados Unidos.
No seu bolso: na prestação da geladeira ou no rotativo do cartão, juro alto significa pagar o mesmo produto duas vezes. Cada corte da Selic alivia um pouco esse peso, mês a mês.
Fonte: Banco Central, SGS 432 (23/10/2026) e Copom de 16/09/2026; Tesouro, RMD ago/2026 (52,74% da DPF ligada à Selic).
Dívida bruta REAL ATÉ AGO/2026
Tudo o que o governo geral (União, estados e municípios) deve, comparado com o tamanho da economia.
Para entender
Compare com uma família: se uma família deve o equivalente a 83% de tudo o que ganha em um ano, a dívida ainda cabe, mas dá pouca folga. A dívida bruta de 82,87% do PIB significa isso: o governo deve quase o equivalente a um ano inteiro de tudo o que o país produz. O que importa é o ritmo: subindo, os juros pesam mais.
Onde estamos
- Hoje: cerca de R$ 11,1 trilhões (R$ 11.055 bi), ou 82,87% do PIB (ago/26).
- Dez/23: cerca de R$ 8,1 tri (73,8% do PIB). Dez/24: R$ 9,0 tri (76,3%). Dez/25: cerca de R$ 10,0 tri (78,6%).
- Subiu cerca de R$ 1,4 trilhão em 12 meses (R$ 9,62 tri em ago/25), ou 5,56 pontos percentuais do PIB.
- O que mais empurra: os juros. Os juros pagos sobre a dívida pesam mais que o déficit primário.
O que mais pesa
Juros, resultado primário, crescimento do PIB (que aumenta o denominador) e inflação.
No seu bolso: é como um cartão que nunca é quitado: dá para pagar a parcela, mas o saldo cresce. A cada R$ 100 que o país produz, cerca de R$ 83 já são dívida.
Fonte: Banco Central, SGS 13761 e 13762 (ago/2026). Consulta 26/10/2026.
Dívida líquida REAL ATÉ AGO/2026
A dívida do setor público depois de descontar o que o governo tem em caixa e reservas.
Para entender
É como a dívida da família menos o que ela tem a receber. Se deve 100 e tem 30 a receber, a dívida líquida é 70. Atenção: ela inclui o Banco Central e as estatais, então não é a dívida bruta menos as reservas.
Onde estamos
- Hoje: cerca de R$ 9,2 trilhões (R$ 9.240 bi), ou 69,27% do PIB (ago/26).
- Dez/23: 60,4% do PIB. Dez/24: 61,3%. Dez/25: 65,2%.
- Subiu cerca de 5 pontos percentuais do PIB em 12 meses (64,05% em ago/25).
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Tende a seguir o mesmo caminho da dívida bruta.
O que mais pesa
Os mesmos fatores da dívida bruta, mais o câmbio (que valoriza as reservas em reais).
No seu bolso: é a sua dívida menos o dinheiro que os outros te devem: se você deve R$ 100 e tem R$ 30 para receber, sua dívida “de verdade” é R$ 70.
Fonte: Banco Central, SGS 4478 e 4513 (ago/2026). Consulta 26/10/2026.
Déficit primário e nominal (Governo Central) REAL JAN–AGO/2026
Quanto faltou para o Governo Central em jan–ago/2026, sem e com os juros.
Para entender
Separe o gasto do dia a dia do custo da dívida. O resultado primário é arrecadação menos gastos, sem juros. Somando os juros, temos o resultado nominal.
−
▼ Saiu (sem juros)
R$ 1.764,6 bi
=
Déficit primário
−R$ 94,9 bi
Déficit primário
−R$ 94,9 bi
−
Juros da dívida
R$ 714,4 bi
=
Déficit nominal
−R$ 809,3 bi
Onde estamos
- Jan–ago/2026: entrou R$ 1.669,7 bi (receita líquida) e saiu R$ 1.764,6 bi (despesa sem juros): déficit primário de R$ 94,9 bi (R$ 85,9 bi no mesmo período de 2025).
- Juros da dívida no período: R$ 714,4 bi.
- Déficit nominal: R$ 809,3 bi.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Meta fiscal de 2026: superávit de R$ 34,3 bi, considerada cumprida com resultado próximo de zero (banda de tolerância).
- Precatórios (R$ 57,8 bi) ficam fora da meta pela EC 136/2025.
O que mais pesa
Arrecadação, gastos obrigatórios (previdência, pessoal), emendas e créditos extraordinários.
No seu bolso: imagine sua casa: o salário não cobriu o mês (faltaram R$ 94,9) e o cheque especial cobrou R$ 714,4 de juros. O buraco total vira R$ 809,3 — quase tudo é juro.
Fonte: Tesouro Nacional, RTN ago/2026 (Governo Central, jan–ago/2026).
Desemprego REAL ATÉ AGO/2026
A parcela das pessoas que querem trabalhar e não encontram emprego.
Para entender
Se a taxa é 5,3%, de cada 100 pessoas que estão no mercado de trabalho (trabalhando ou procurando), cerca de 5 procuraram e não acharam. Não conta quem desistiu de procurar. Taxa baixa significa mais gente com renda, mas também empresas disputando trabalhadores, o que pode pressionar salários e preços de serviços.
Onde estamos
- Hoje: 5,3% (trimestre até ago/26), contra 5,6% um ano antes.
- 4º tri/22: 7,9%. 4º tri/23: 7,4%. 4º tri/24: 6,2%. 4º tri/25: 5,1%.
- Média anual: 7,8% em 2023 e 6,6% em 2024.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Juros altos tendem a desacelerar a contratação com defasagem.
- A EC 141/2026 (fim da escala 6x1, promulgada em 16/10) muda a jornada e é um ponto de atenção para o custo de contratação.
O que mais pesa
Atividade econômica, juros, regras trabalhistas e sazonalidade (fim de ano contrata mais).
No seu bolso: de cada 100 pessoas procurando ou com trabalho, cerca de 5 procuraram e não acharam. Mais gente empregada no bairro é mais movimento no comércio da esquina.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 6381 e 4099 (trimestre até ago/2026).
PIB (crescimento) REAL ATÉ 2º TRI/2026
A soma de tudo o que o país produz em bens e serviços.
Para entender
É o tamanho da economia. Se o PIB cresce 2%, o país produziu 2% a mais que um ano antes (já descontada a inflação). Um PIB crescendo mais que a população e que a dívida ajuda a reduzir o peso da dívida. Veja também por setor: agro, indústria e serviços crescem em ritmos diferentes.
Onde estamos
- 2º tri/26: +0,5% sobre o trimestre anterior; +1,90% em 4 trimestres.
- Por ano: 3,0% (2022), 3,2% (2023), 3,4% (2024), 2,3% (2025).
- Setores no 2º tri/26: agropecuária +2,8%, indústria +0,1%, serviços +0,2%; consumo das famílias −0,4%.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Mercado (Focus de 19/10): 1,83% em 2026.
O que mais pesa
Juros, safra agrícola, consumo das famílias, investimento e exportações.
No seu bolso: o PIB é a “renda do país”. Quando cresce 1,90%, é como se a família produzisse e vendesse um pouco mais que no ano passado.
Fonte: IBGE, Contas Nacionais Trimestrais (2º tri/2026), SIDRA 1846.
Dólar REAL ATÉ OUT/2026
Quantos reais custa um dólar.
Para entender
Dólar mais barato deixa o importado e a viagem mais baratos e ajuda a segurar preços. Para quem exporta, o mesmo preço em dólar rende menos reais. Dólar mais caro faz o contrário. Não é bom nem ruim em si: depende de que lado do balcão você está.
Onde estamos
- Hoje: R$ 5,0826 (PTAX de 16/10/26).
- Fim de ano: R$ 5,22 (2022), R$ 4,84 (2023), R$ 6,19 (2024). R$ 5,50 (2025). PTAX do Banco Central, série 1.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Mercado (Focus): R$ 5,13 no fim de 2026.
O que mais pesa
Juros dos EUA, diferença de juros, preço de commodities e confiança fiscal.
No seu bolso: o dólar entra no pão (trigo importado), no remédio e na gasolina. Quando ele sobe, esses preços costumam subir depois de algumas semanas.
Fonte: Banco Central, PTAX SGS 1 (16/10/2026; fins de ano em 30/12/2022, 29/12/2023, 31/12/2024 e 31/12/2025); Focus de 19/10/2026.
Poder de compra e renda REAL ATÉ AGO/2026
Se o seu dinheiro compra mais ou menos do que antes.
Para entender
É o salário ou a receita menos a inflação. Ganho real = quanto a renda subiu, descontada a inflação. Exemplo: renda subiu 6% e a inflação foi 4,58%: o ganho real é de 1,36%. Se a renda subiu 3% com inflação de 4,58%, você perdeu poder de compra mesmo ganhando mais em reais.
Onde estamos
- Renda real média: R$ 3.777 (trimestre até ago/26), 3,7% acima do mesmo trimestre de 2025.
- Inadimplência de pessoas físicas: 6,03% em ago/26 (5,80% em jul/26).
- Para saber se o poder de compra caiu desde jan/23, compare a inflação acumulada (cerca de 18,9%) com quanto a sua renda subiu no mesmo período: se subiu menos de 18,9%, perdeu; se subiu mais, ganhou. A série de renda real média desde 2023 ainda não foi coletada, então não dá para dar um número único para o brasileiro médio.
O que se espera PROJEÇÃO 2026
- Com a inflação projetada em 5,22% para 2026, quem reajusta abaixo disso perde poder de compra.
- Isenção de IR até R$ 5 mil beneficia cerca de 16 milhões de pessoas.
O que mais pesa
Inflação, emprego, reajustes e crédito.
No seu bolso: reajuste de 6% em R$ 1.000 vira R$ 1.060; a cesta que custava R$ 1.000 hoje custa R$ 1.045,80. Sobram R$ 14,20 — esse é o ganho real.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 6390 (trimestre até ago/2026); Banco Central, SGS 21084 (inadimplência PF, ago/2026); IPCA set/2026.
Cada pessoa tem a sua inflação. A carne subiu 9,83% em 12 meses, enquanto o arroz caiu 2,61% e o café caiu 17,80%. Se a sua mesa tem mais carne, a sua inflação passa dos 4,58%. Calcule a sua →